O reencontro com um novo amigo

Sou bicho do mato urbano, quarentena para mim é o habitual. Levei dois anos sendo indelicado e me esquivando de almoços e jantares, em geral, cada dia gosto mais de ficar cismando na minha própria cabeça. Mas aceitei um, afinal não se diz não a um convite elegante de um cavalheiro francês, a França (e tudo que diz respeito a ela) tem autoridade sobre mim (México e França, duas raras palavras que me fazem vencer o atrito estático e ir). E não se diz não a um Rothschild, ainda por cima do ramo Lafite da família, meu favorito.
Como demorei a rever este amigo que não conhecia, Philippe Nicolay de Rothschild!  IMG_5291

Era para ser um almoço de vinhos, ele abrira uma garrafa de sua adega particular para isso, decantou em casa, voltou o líquido à garrafa e, sabiamente, entregou-o já no ponto de consumo (lição aprendida e repassada num vídeo que postei no instagram TV).

Começamos com champagne, o blanc des blancs estupendo da família, Philippe ressaltou o citrino do espumante, e de fato, um aroma delicioso de grapefruit vinha da taça. Pediu o polvo, “por ter toques de limão siciliano”, copiei. Estávamos no Le Chef Rouge, ótimo serviço, fazia tempos não ia lá.
Mas, sem que me desse conta, já não conversávamos sobre taninos ou barricas. Por isso usei o oxímoro como título, reencontrei um amigo que nunca vira antes. Tantos gostos em comum, as meias (Gamarelli, Mazarin…ele tem 22 cores diferentes, eu ainda ando pelas primeiras vermelhas e verde acadêmico), ele disse de Balladur, ex-primeiro ministro francês, num dos mandatos de Chirac, que apareceu com tais meias de arcebispo e lançou a mania.
Não é capricho, calçada uma meia de número exato, desmentida a ideia do tamanho único, não há volta. Pedi água quando vi que servem Badoit no restaurante, nunca tinha visto aqui esta delícia, ele falou “não bebo água em público”, rimos, pois era uma boutade, bebeu e trocamos ideias sobre águas. Aí já bebíamos o delicioso branco do Loire, este importado por ele, como o champagne.

E já andavámos pelas canetas, gravatas e tantas outras coisas que fazem a vida interessante, quando surgiu a ideia do Tour de France Edega. Com o belo catálogo da importadora, a possibilidade de percorrer a França através de garrafas de vinho é totalmente plausível, e ajuda a matar as saudades das viagens físicas pelo país.
Foi assim a história da série de cerca de 20 vídeos e textos que começo amanhã, no meu instagram e no blog luiz-horta.com e nas redes sociais da Edega e de Monsieur Rothschild. Um passeio líquido de prazer, sem afetação nem pedantismo, pois vinho é alegria. Espero que seja o começo de muitas novas amizades

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